JCM @ 14:42

Qua, 14/10/09

O conceito de turismo ciclável tem vindo a desenvolver-se de uma forma organizada e sistemática em vários países (designadamente Austrália, Nova Zelândia, Suíça, Reino Unido e Espanha) com impactos significativos do ponto de vista económico, social e ambiental. Trata-se de uma actividade que mobiliza visitantes/turistas que se deslocam de bicicleta, em férias ou em lazer, planeada de forma independente ou fazendo parte de viagens organizadas e que pode incluir o uso de outros serviços de transporte e um tipo de alojamento formal ou informal.

Um Estudo recente da Comissão Europeia sobre o Impacto económico do turismo ciclável a nível europeu (THE EUROPEAN CYCLE ROUTE NETWORK EUROVELO - CHALLENGES AND OPPORTUNITIES FOR SUSTAINABLE TOURISM, 2009), apresentado recentemente em Bruxelas, conclui que o peso do turismo ciclável atinge, actualmente, cerca de 2.8 biliões de viagens/ano, 26 milhões de viagens de turismo e representa um valor de cerca de 54 biliões de euros/ano. O mesmo estudo estima que o valor da Rede Europeia de Ciclovias - EuroVelo  (constituída por cerca de 12 eixos transcontinentais e totalizando 66.000 Km, 75% já construídos - consultar http://www.ecf.com/3188_1) atinja já cerca de 12.5 milhões de viajantes, com um impacto económico de cerca de 4.4 biliões de euros.

Importa, ainda, sublinhar que a EuroVelo foi pensada com o objectivo de criar uma rede de ciclovias de elevada qualidade ligando todos os países europeus, podendo ser fruída por utilizadores de grandes distâncias ou por utilizadores diários. Para fazer parte desta rede é fundamental que: as redes cicláveis sejam seguras e contínuas; o ambiente rural envolvente seja agradável e amigável do utilizador de bicicleta; exista uma clara e precisa sinalização; alojamento de qualidade e hospitalidade nas rotas cicláveis; serviços de apoio e adequada informação.

Em Portugal, este tema não tem merecido a devida atenção por parte dos poderes públicos (locais e nacionais), sendo que as actuações mais relevantes são desenvolvidas pelos municípios mas com uma perspectiva muito fragmentada e focalizada na mera construção de pistas cicláveis sem as preocupações e sem os impactos (sociais, económicos e ambientais) anteriormente referenciados.

Recentemente, o governo português aprovou o Projecto 'Cicloria', um investimento total de um milhão de euros numa iniciativa promovida pelas autarquias da Murtosa, Ovar e Estarreja e pela Universidade de Aveiro e desenvolvido no âmbito de uma candidatura ao POVT - Eixo IX – Acções Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano - Acessibilidade e Mobilidade Urbana, e que visa  a criação das condições de promoção e desenvolvimento da mobilidade ciclável com motivação de lazer e turismo na região da Ria de Aveiro.

Pretende-se, com este projecto, criar uma rede de ciclovias na envolvente à Ria de Aveiro apoiada num conjunto de acções de animação dos percursos cicláveis, através da organização, disponibilização e valorização do conhecimento sobre o património cultural, construído e natural da região que os agentes locais e os investigadores da Universidade de Aveiro dispõem. Esta informação irá ser integrada e disponibilizada ao utilizador através de várias ferramentas tecnológicas (Web, GPS e GSM) tirando partido do know-how que a região dispõem (INOVA-RIA). Para além disso, empresas do sector (com forte implantação na região, localizando-se aqui a ABIMOTA) irão ser convidadas a participar no fornecimento das bicicletas e equipamentos de apoio e novas empresas poderão surgir no âmbito de iniciativas de empreendedorismo para prestar serviços de apoio (oficinas, guias de natureza e animação cultural). Por último, a integração da temática da mobilidade nos curricula das escolas, irá, de certo, contribuir para estimular a mobilidade dos alunos de bicicleta para a escola e para a descoberta ciclável do meio onde vivem.

Para marcar o arranque do projecto as entidades promotoras estão a organizar uma Conferência Internacional sobre ‘O Lazer e o Turismo Ciclável em Portugal’ que se irá realizar no próximo dia 6 de Novembro, no Auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro com os seguintes objectivos:

  • apresentar os princípios orientadores do Projecto;
  • discutir os desafios das políticas de mobilidade ciclável ligada ao lazer e ao turismo a nível europeu (com a presença do Professor Les Lumsdon, um especialista europeu na matéria e responsável pela elaboração do Estudo acima referido);
  • reflectir sobre as oportunidades de desenvolvimento económico ligada à mobilidade ciclável com motivação de turismo e lazer (envolvendo os responsáveis do sector das duas rodas - ABIMOTA, da tecnologia - INOVA_RIA, dos utilizadores - FPCUB, e da I&D - Cluster da Bicicleta);
  • conhecer e debater experiências municipais e intermunicipais nacionais (premiadas a nível nacional e europeu) e reflectir sobre experiências internacionais (com a presença de especialistas britânicos e espanhóis);
  • discutir as orientações nacionais de políticas de mobilidade ciclável ligada ao lazer e ao turismo (com presença de vários dos representantes institucionais nacionais)

Para além destas preocupações, a conferência pretende igualmente constituir uma oportunidade para estimular a criação de redes/parcerias a nível nacional (criação de uma Plataforma Intermunicipal sobre Mobilidade Ciclável, no seio da ANMP) e de mobilizar as diversas autarquias locais para se participarem em redes internacionais (aproveitando o programa INTERREG).

Em síntese, pretende-se com o Projecto ‘Cicloria’, e com a presente Conferência, reflectir sobre a necessidade de se desenvolverem políticas inovadoras de mobilidade ciclável ligada ao turismo e ao lazer, que articulem o território, a mobilidade, o turismo, a indústria e a tecnologia, que forneçam um quadro de referência para as várias iniciativas municipais e que as enquadrem com outras iniciativas definidas a nível europeu (Euro-Velo). Existe a convicção que esta novo enfoque poderá, em larga escala, beneficiar a economia, através da criação de emprego e o aumento das actividades ligadas ao turismo, e o ambiente, através da criação de actividades “low carbon” – uma aposta chave face à crise actual.



Hernani Cardoso @ 16:38

Qua, 14/10/09

 

É sempre de louvar projectos destes, no entanto, sendo uma iniciativa para turismo ciclável, era suposto ser um percurso que fosse de um ponto a outro. Analisando o(s) percurso(s) que constituem esta iniciativa, vê-se que o possível turista andas "às voltas".
Não se pode comprar esta iniciativa com os Eurovelos, que unem pontos extremos no caso da Eurovelo 6 o Atlantico ao Mar Negro.
A esta altura surge-me algumas perguntas: Sabem os promotores/ideólogos desta iniciativa o que é o Ciclo-turismo? Alguma vez percorreram de bicicleta o mais conhecido percurso de cicloturismo a nivel mundial: a Donauradweg (via do Danubio)?
A conclusão a que sou forçado a chegar é que realmente a idéia que querem implementar é tudo menos um percurso para cicloturismo, diria mais é um percurso para umas paseatas no fim de semana. Esse tipo de percursos traz tostões à região, e não milhões.
Sugeria que implementassem a interligação de percursos trans-regionais, ligando a ciclovia do Vouga, à da Ria e esta à Figueira da Foz e daqui à ciclovia que vai da Marinha grande à Nazaré. Aí teriamos um percurso de cicloturismo que possibilitava um verdadeiro percurso turistico de vários dias nos quais os turistas visitariam várias regiões e subssistemas ecológicos do País.
Esse percurso, poderia inclusive criar novos negócios e postos de trabalho: aluguer de bicicletas, taxi-bike (entre os aeroportos de entrada e o inicio do Percurso), alojamanetos, parques de campismo, restauração, souveniers, etc, etc.
Para terem uma ideia, das potencialidades do "verdadeiro" ciclo-turismo visitem http://www.radtouren.at/en/start.html a página oficial de ciclo-turismo da campeã europeia da modalidade: a Áustria.


JCM @ 16:55

Qua, 14/10/09

 

Meu caro
Este projecto é uma 'iniciativa piloto' que pretende testar uma metodologia de promoção da mobilidade ciclável ligada ao turismo e lazer. Mais do que a dimensão do trajecto, importa organizar os factores de atractibilidade deste 'circuito ciclável ribeirinho', dotá-la dos equipamentos e infra-estruturas de apoio, organizar as actividades de animação e serviços de apoio, articulá-las com as actividades complementares (alojamento e restauração), mobilizar os agentes e a comunidade para participar na construção do projecto.
Ao mesmo tempo, pretendemos aprender com outras experiências, como as que refere, com o objectivo de criar, numa segunda fase, uma rede ciclável que se alargue a outras sub-regiões vizinhas (Ria de Aveiro/Dão-Lafões/cordão litoral para Norte e para Sul).
Convidamo-lo a vir a Aveiro, no próximo dia 6 de Novembro, para participar na reflexão que pretendemos iniciar.
Um abraço
José Carlos Mota

blogue do projecto dinamizado pelas autarquias da Murtosa, Estarreja, Ovar e Universidade de Aveiro e aprovado pelo POVT - Eixo IX – Acções Inovadoras para o Desenvolvimento Urbano - Acessibilidade e Mobilidade Urbana
Projecto co-financiado por
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